Câncer de Próstata: Sintomas, Diagnóstico e Opções de Tratamento

Artem Podrez (Pexels)

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O câncer de próstata é uma das principais doenças oncológicas que afetam a população masculina e merece atenção especialmente porque, em muitos casos, pode se desenvolver de maneira silenciosa nas fases iniciais. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 77.920 novos casos da doença por ano no triênio de 2026 a 2028. Excluindo os tumores de pele não melanoma, o câncer de próstata está entre os tipos de câncer mais incidentes no país.

Compreender os possíveis sintomas, os métodos utilizados para investigação e diagnóstico e as opções de tratamento é importante para que o homem possa participar de forma mais informada das decisões relacionadas à sua saúde. Cada paciente, entretanto, apresenta características próprias, e a avaliação médica individualizada é fundamental para definir a melhor conduta.

O que é o câncer de próstata?

A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino localizada abaixo da bexiga e à frente do reto. Ela envolve uma parte da uretra e participa da produção do líquido que compõe o sêmen.

O câncer de próstata acontece quando células da glândula sofrem alterações e passam a crescer de maneira descontrolada. Existem diferentes características e graus de agressividade da doença. Alguns tumores podem apresentar crescimento lento, enquanto outros podem ter comportamento mais agressivo e maior possibilidade de disseminação para outras regiões do organismo.

A idade é um importante fator de risco. O INCA também destaca fatores como histórico familiar, especialmente quando pai ou irmão tiveram câncer de próstata antes dos 60 anos, além do excesso de gordura corporal como fator relacionado ao risco de doença avançada.

Quais são os sintomas do câncer de próstata?

Um dos aspectos que tornam o acompanhamento da saúde masculina importante é que o câncer de próstata frequentemente não apresenta sintomas em sua fase inicial. Quando manifestações aparecem, algumas delas podem ser semelhantes às provocadas por alterações benignas da próstata.

Entre os sinais e sintomas que podem justificar uma avaliação médica estão:

  • dificuldade para começar a urinar;
  • diminuição ou enfraquecimento do jato urinário;
  • necessidade de urinar várias vezes ao longo do dia;
  • aumento da frequência urinária durante a noite;
  • dificuldade para esvaziar completamente a bexiga;
  • interrupções no fluxo da urina;
  • presença de sangue na urina.

É importante destacar que apresentar algum desses sintomas não significa necessariamente ter câncer de próstata. O crescimento benigno da próstata e outras condições do sistema urinário também podem provocar manifestações semelhantes.

Em casos mais avançados, podem surgir sintomas relacionados à disseminação da doença. O INCA aponta que dor óssea pode ocorrer em estágios avançados, além de outros problemas decorrentes da evolução do tumor.

Por isso, alterações persistentes no padrão urinário devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

Como é feita a investigação?

A investigação pode começar pela análise do histórico clínico do paciente, sintomas apresentados, fatores de risco e exames específicos.

Dois exames bastante conhecidos são a dosagem do PSA e o toque retal.

O PSA, sigla para Antígeno Prostático Específico, é uma proteína produzida pela próstata cuja quantidade pode ser medida através de um exame de sangue. Uma alteração no PSA não confirma, isoladamente, a existência de câncer. Outras condições benignas da próstata também podem modificar seus níveis.

Já no toque retal, o médico avalia características da próstata, como tamanho, forma e textura, buscando identificar possíveis alterações.

Dependendo dos resultados encontrados e da avaliação médica, exames complementares podem ser solicitados. A ressonância magnética multiparamétrica da próstata, por exemplo, pode auxiliar na identificação de áreas suspeitas e na decisão sobre a necessidade de realizar uma biópsia.

A biópsia e a confirmação do diagnóstico

Embora PSA, toque retal e exames de imagem possam levantar suspeitas, a confirmação do câncer de próstata é realizada por meio da análise histopatológica do tecido obtido através de uma biópsia da próstata.

Durante o procedimento, pequenas amostras de tecido prostático são coletadas para análise laboratorial. Caso sejam encontradas células cancerígenas, o patologista avalia características do tumor.

Entre as informações utilizadas está a graduação histológica, tradicionalmente relacionada ao sistema de Gleason. Esses dados ajudam a compreender o comportamento biológico do tumor e, juntamente com outras informações clínicas, contribuem para determinar o risco e orientar a escolha do tratamento.

Depois da confirmação, também pode ser necessário realizar o estadiamento, processo utilizado para verificar a extensão da doença e se o câncer permanece restrito à próstata ou atingiu outras estruturas.

Quais são as opções de tratamento?

O tratamento do câncer de próstata não é igual para todos os pacientes. A decisão depende de fatores como estágio da doença, características do tumor, níveis de PSA, graduação histológica, idade, condições gerais de saúde e preferências do paciente.

Entre as possibilidades estão vigilância ativa, cirurgia, radioterapia e terapia hormonal. Em determinados cenários também podem ser utilizados outros tratamentos sistêmicos, incluindo quimioterapia, terapias direcionadas e diferentes combinações terapêuticas.

Vigilância ativa

Alguns tumores apresentam características de baixo risco e crescimento lento. Nesses casos selecionados, o médico pode recomendar a vigilância ativa em vez de iniciar imediatamente um tratamento.

O paciente permanece sob acompanhamento periódico, realizando exames para verificar possíveis mudanças no comportamento da doença. Caso existam sinais de progressão, o tratamento pode ser iniciado.

Vigilância ativa não significa ignorar o câncer. Trata-se de uma estratégia médica estruturada para acompanhar cuidadosamente determinados pacientes e evitar tratamentos imediatos quando eles podem não ser necessários naquele momento.

Cirurgia para câncer de próstata

A cirurgia pode ser indicada principalmente em determinados casos de doença localizada. Um dos procedimentos utilizados é a prostatectomia radical, que consiste na retirada da próstata e de estruturas relacionadas, de acordo com a indicação médica.

A definição da técnica cirúrgica depende das características individuais do paciente e da doença.

Para obter informações sobre avaliação urológica e cirurgia de próstata, também é possível conhecer o trabalho do Dr. Rodolfo Garcia Borges pelo site drrodolfoborges.com.br.

Como qualquer procedimento cirúrgico, a prostatectomia exige avaliação detalhada dos possíveis benefícios, riscos e efeitos associados. Questões relacionadas ao controle urinário e à função sexual, por exemplo, podem fazer parte da conversa entre médico e paciente antes da escolha do tratamento.

Radioterapia

A radioterapia utiliza radiação para destruir células cancerígenas ou impedir sua multiplicação. Pode ser empregada como tratamento principal em determinados casos ou fazer parte de uma estratégia combinada.

Existem diferentes modalidades de radioterapia para o câncer de próstata, incluindo radioterapia externa e, para pacientes selecionados, braquiterapia. A indicação depende do estágio e das características do tumor, entre outros fatores clínicos.

Terapia hormonal

Os hormônios masculinos, especialmente os andrógenos, podem estimular o crescimento das células do câncer de próstata. A terapia hormonal busca reduzir a produção desses hormônios ou bloquear sua atuação sobre as células tumorais.

Esse tratamento pode ser utilizado em associação com a radioterapia e tem papel importante em diferentes cenários de doença avançada ou metastática.

Em situações específicas, outros medicamentos e estratégias terapêuticas podem ser incorporados conforme a evolução da doença.

Rastreamento e diagnóstico precoce são a mesma coisa?

Não. O diagnóstico precoce envolve investigar sinais e sintomas suspeitos para identificar uma doença o quanto antes. Já o rastreamento consiste na realização de exames em pessoas que não apresentam sintomas.

Essa diferença é relevante porque o INCA e o Ministério da Saúde não recomendam atualmente o rastreamento populacional sistemático do câncer de próstata. Segundo essas instituições, os potenciais benefícios e riscos dos exames de rastreamento devem ser discutidos com o médico para uma decisão compartilhada. Entre os possíveis problemas estão resultados falso-positivos, sobrediagnóstico e sobretratamento.

Portanto, dúvidas sobre PSA, toque retal, histórico familiar ou necessidade de investigação devem ser discutidas individualmente com um profissional de saúde.

A importância do acompanhamento individualizado

Receber um diagnóstico de câncer de próstata não determina automaticamente qual tratamento deverá ser realizado. Atualmente existem diferentes estratégias terapêuticas, e a escolha deve considerar tanto as características do câncer quanto as condições clínicas e preferências do paciente.

Em alguns casos, acompanhar cuidadosamente a doença pode ser apropriado. Em outros, cirurgia, radioterapia, terapia hormonal ou combinações de tratamentos podem ser indicadas.

Também é importante manter o acompanhamento após o tratamento. O INCA informa que a dosagem periódica do PSA faz parte do seguimento de pacientes após procedimentos como cirurgia ou radioterapia.

Informação de qualidade, avaliação médica especializada e participação do paciente nas decisões são elementos importantes durante todo o processo. Ao perceber alterações urinárias persistentes ou diante de dúvidas relacionadas ao risco individual de câncer de próstata, procurar orientação médica permite investigar adequadamente a situação e definir os próximos passos.

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